Às vezes tudo o que eu precisava, é saber a hora exata de frear. Mas, como já estou me acostumando às intensidades da vida, esqueço de tudo e piso fundo, como se a oportunidade fosse única e eu não a pudesse perder, independente do momento ser oportuno ou da situação ser propícia. Assim, assumo riscos desnecessários e faço escolhas que poderiam perfeitamente ser evitadas se houvesse o mínimo de prudência de minha parte. Tudo em velocidade estonteante. O que não seria mal se o mundo rodasse na mesma passada que eu, e as outras pessoas me acompanhassem nisso. Entretando, é claro, não é o que ocorre. Por isso essa sensação de descompasso não sai de mim, e o resultado sempre tende ao nada. A partir daí, o que resta é silêncio, angústia ou sei lá o quê. E tudo por não dar dois passos para trás antes de um para frente, como reza a inteligência de uma pessoa sensata. Ok, sei que muitos dirão que uma vida moderada não tem graça, que tentar é necessário e tudo mais. Só que eu juro – juro mesmo – que tudo o que eu queria era ter alguma cautela ao viver. Ou ao menos ter algum freio de mão para acionar em caso de emergência emocional, ou de crise existencial.